A Meta confirmou o encerramento definitivo do Horizon Worlds nos óculos de realidade virtual Quest, colocando um ponto final em um dos projetos mais simbólicos da história recente da empresa. O desligamento segue um cronograma já anunciado publicamente e representa o desfecho de uma aposta que começou em 2021, quando o Facebook trocou de nome para sinalizar que o futuro da companhia estaria dentro de mundos virtuais imersivos.
Um cronograma de encerramento já em andamento
Segundo comunicados divulgados pela própria empresa, o processo acontece em duas etapas. A partir de 31 de março de 2026, os mundos individuais do Horizon Worlds, incluindo espaços como Horizon Central, Events Arena, Kaiju e Bobber Bay, deixaram de aparecer na loja dos headsets Quest. Já a partir de 15 de junho de 2026, o aplicativo passou a não funcionar mais em realidade virtual, restando disponível apenas em versões para smartphones com iOS e Android. Trata-se de uma mudança que já vinha sendo sinalizada desde fevereiro, quando a Meta anunciou que separaria o Horizon Worlds do ecossistema Quest para redirecionar o foco quase exclusivamente ao ambiente mobile.
Como a aposta bilionária perdeu força
A decisão não surge isolada. A divisão Reality Labs, responsável pelos projetos de realidade virtual e aumentada da empresa, acumulou perdas superiores a 70 bilhões de dólares desde o início de 2021, de acordo com dados voltados ao mercado financeiro. Ao longo dos últimos dois anos, a companhia já havia dado sinais claros de recuo, com demissões no setor e o encerramento de estúdios de jogos em VR. O fechamento do Horizon Worlds em headsets é, portanto, o capítulo final de um processo gradual, e não uma ruptura repentina.
Ações em alta e pressão de investidores
O mercado reagiu de forma positiva às sinalizações de corte de investimentos no metaverso. Em determinado momento, as ações da Meta chegaram a subir mais de 5% na abertura dos pregões em Nova York, um dos maiores ganhos intradiários da companhia em meses. Essa reação reflete uma cobrança antiga de parte dos investidores, que passaram a enxergar o projeto do metaverso como um dreno de recursos sem retorno proporcional. Órgãos reguladores também vinham pressionando a empresa, principalmente por preocupações relacionadas à privacidade e à segurança de crianças em ambientes virtuais.
Para onde vai o dinheiro que antes ia para o metaverso
Com o recuo no Horizon Worlds, a Meta concentra seus investimentos em duas frentes consideradas estratégicas para o momento atual da tecnologia. A primeira é a inteligência artificial, incluindo o desenvolvimento de grandes modelos de linguagem que sustentam chatbots e ferramentas de IA generativa. A segunda é o segmento de dispositivos vestíveis, com destaque para os óculos inteligentes desenvolvidos em parceria com a Ray-Ban, que já concentram boa parte da atenção da Reality Labs. Executivos chegaram a discutir cortes de até 30% no orçamento do grupo responsável pelo metaverso, incluindo o Meta Horizon Worlds e a unidade de realidade virtual Quest, o que pode resultar em novas demissões.
O legado que sobrevive ao projeto original
Apesar do fim da versão em realidade virtual, nem tudo relacionado ao investimento em VR foi descartado. A própria Meta reforça que, apenas em 2025, destinou cerca de 150 milhões de dólares em programas voltados a desenvolvedores, e que o serviço de assinatura Meta Horizon Plus já havia superado a marca de 1 milhão de assinantes ativos, com um catálogo de mais de 100 jogos. Dados internos citados pela empresa indicam que 86% do tempo efetivo dos usuários nos headsets é gasto com aplicativos de desenvolvedores independentes, e não com produções próprias da companhia. Esse argumento sustenta a tese de que o Quest, como plataforma de hardware, pode continuar relevante mesmo sem o Horizon Worlds como carro-chefe social.
O que analistas do setor já vinham apontando
Vozes do mercado de tecnologia já antecipavam esse desfecho há algum tempo. Analistas de consultorias como a Forrester chegaram a defender publicamente que a Meta encerrasse de vez seus projetos de metaverso social, argumentando que a divisão consumia recursos sem gerar receita relevante e que abandonar essa frente permitiria concentrar esforços em iniciativas de inteligência artificial. Já consultorias como a Gartner, que em anos anteriores projetavam que uma fatia significativa da população passaria horas diárias em ambientes de metaverso, revisaram a leitura do conceito, afirmando que o termo foi mal compreendido e que hoje se manifesta como uma combinação de tecnologias, e não como um produto único e definido.
Um capítulo que fecha um ciclo iniciado em 2021
O caso do Horizon Worlds ilustra um movimento mais amplo dentro da própria indústria de tecnologia. A mudança do nome da empresa para Meta, em 2021, foi um dos gestos corporativos mais ousados dos últimos anos, sustentado pela convicção pessoal do fundador de que as pessoas passariam a trabalhar, comprar e se divertir dentro de mundos virtuais. Quatro anos depois, esse projeto específico chega ao fim com uma data marcada no calendário, ainda que a companhia continue investindo em hardware de realidade estendida e em óculos inteligentes com inteligência artificial embarcada.
O que esperar para os próximos passos do setor
O desfecho do Horizon Worlds não significa o fim das tecnologias imersivas, mas sim uma redefinição de prioridades dentro do próprio mercado. Especialistas que acompanham o setor apontam que a conversa deve migrar do termo metaverso para conceitos como realidade estendida aplicada à inteligência artificial, com o objetivo de ajudar usuários a interagir com sistemas de IA no mundo físico, e não necessariamente dentro de ambientes totalmente virtuais. Para o público que acompanha o desenvolvimento dessas tecnologias, o episódio funciona como um lembrete de que visões de futuro ambiciosas dependem de validação real de mercado para se sustentar ao longo do tempo.
Fontes consultadas:
- Olhar Digital: https://olhardigital.com.br/2026/03/18/pro/fim-do-metaverso-meta-desativa-app-de-realidade-virtual-em-oculos-inteligentes/
- Mundo Conectado: https://www.mundoconectado.com.br/realidade-virtual/meta-encerra-acesso-vr-horizon-worlds-junho-2026/
- InfoMoney: https://www.infomoney.com.br/business/meta-planeja-cortes-de-ate-30-nos-investimentos-do-metaverso-em-2026/
- StartSe: https://www.startse.com/artigos/o-metaverso-acabou-e-a-meta-ja-estava-de-olho-na-proxima-aposta-ha-tempo/
- Euronews: https://www.euronews.com/next/2026/01/31/nobody-mourns-the-metaverse-what-went-wrong-with-zuckerbergs-vision-and-what-is-next-for-v

