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O conflito que parecia pequeno e quase custou a sociedade inteira

Diego Velázquez
Última atualização 3 de julho de 2026 09:05
Por Diego Velázquez
Publicado 3 de julho de 2026
9 Min de leitura
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Haroldo Augusto Filho
Haroldo Augusto Filho
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Para Haroldo Augusto Filho, executivo da Fource Consultoria com atuação em negociação empresarial e gestão de conflitos, esse tipo de situação é mais comum do que qualquer caso de ruptura espetacular entre sócios: dois sócios fundam uma empresa, dividem responsabilidades de forma informal e, durante anos, resolvem qualquer desacordo numa conversa rápida no corredor, até que um deles discorda da forma como o outro conduziu uma contratação importante. 

Contents
O que esse caso revela sobre conflitos que parecem pequenos?Por que o silêncio entre as partes é mais perigoso do que o confronto?Por que conflitos entre sócios costumam piorar quando ninguém fala abertamente sobre eles?O momento em que a intervenção deixa de ser opcionalComo o papel de um facilitador neutro mudou o rumo da situação?O que esse caso ensina sobre conflitos que ainda parecem pequenos?

A discordância, que poderia ter sido resolvida em minutos, se arrasta por semanas, contamina outras decisões e termina em silêncio entre as partes. Gestão de conflitos corporativos, na prática, raramente lida com crises evidentes desde o início, lida com desacordos pequenos que crescem porque ninguém os trata como deveriam ser tratados, e o que vem a seguir mostra exatamente o ponto em que esse tipo de desacordo deixa de ser administrável sozinho. 

O que esse caso revela sobre conflitos que parecem pequenos?

O erro central no exemplo dos dois sócios não foi a discordância sobre a contratação. Discordâncias acontecem em qualquer sociedade funcional. O erro foi tratar o desacordo como um problema isolado, sem reconhecer que ele expunha uma divergência mais profunda sobre como as decisões deveriam ser tomadas dali em diante. Conflitos que parecem pequenos costumam ser sintomas de uma tensão estrutural que ainda não foi nomeada.

Essa tensão estrutural é o que diferencia um conflito funcional de um disfuncional. O primeiro força as partes a esclarecer expectativas e ajustar processos, fortalecendo a relação no longo prazo. O segundo se instala quando ninguém nomeia o que está em jogo, e a discordância pontual se transforma em desconfiança generalizada. Na perspectiva de Haroldo Augusto Filho, identificar em qual dos dois estágios um conflito se encontra é o primeiro passo de qualquer intervenção bem-sucedida, e é também o passo que a maioria das empresas pula.

Por que o silêncio entre as partes é mais perigoso do que o confronto?

Conflitos abertos, por mais desconfortáveis que sejam, têm uma vantagem: tornam visível o que está em desacordo. O silêncio, ao contrário, esconde a tensão sem resolvê-la. No caso dos dois sócios, o período em que eles simplesmente deixaram de se falar sobre o assunto foi mais danoso à sociedade do que a discussão inicial. Cada decisão tomada nesse intervalo carregava a desconfiança não resolvida, mesmo quando o tema discutido era completamente diferente daquele que gerou o desacordo original.

Por que conflitos entre sócios costumam piorar quando ninguém fala abertamente sobre eles?

Haroldo Augusto Filho explica que é porque o silêncio não elimina a divergência, apenas a desloca para outras decisões, que passam a ser interpretadas sob a lente da desconfiança acumulada. O conflito original deixa de ser sobre o tema inicial e se transforma em um filtro por meio do qual qualquer nova decisão é julgada.

Esse mecanismo explica por que muitas sociedades empresariais relatam uma deterioração progressiva, sem conseguir apontar um evento específico como causa. A causa raramente é um evento único. É o acúmulo de pequenas tensões não resolvidas, cada uma adicionando uma camada de desconfiança que a próxima decisão precisa atravessar antes de ser avaliada pelo seu próprio mérito.

Haroldo Augusto Filho
Haroldo Augusto Filho

O momento em que a intervenção deixa de ser opcional

Existe um ponto, dentro da evolução de qualquer conflito corporativo, em que a resolução espontânea entre as partes se torna improvável. Antes desse ponto, uma conversa direta, bem conduzida, costuma ser suficiente. Depois dele, as posições já se enrijeceram, e cada parte interpreta qualquer aproximação do outro lado como manobra, não como boa-fé. Haroldo Augusto Filho considera que reconhecer essa transição é o que separa intervenções bem-sucedidas de tentativas tardias que apenas formalizam um desgaste já consolidado.

No caso dos dois sócios, esse ponto de virada aconteceu quando um deles começou a tomar decisões unilaterais para evitar qualquer nova discussão com o outro. A partir desse momento, o conflito deixou de ser sobre a contratação específica e passou a ser sobre o próprio modelo de governança da sociedade. Esse tipo de escalada é comum: o conteúdo original do desacordo se torna irrelevante frente à pergunta maior sobre como as decisões serão tomadas a partir daquele ponto.

Identificar esse momento exige atenção a sinais específicos. Redução na frequência de comunicação entre as partes, decisões tomadas sem consulta prévia em assuntos que antes eram discutidos em conjunto, e um tom defensivo que se instala mesmo em conversas sobre temas neutros. Quando esses sinais aparecem simultaneamente, a janela para resolução espontânea já está se fechando.

Como o papel de um facilitador neutro mudou o rumo da situação?

No caso descrito, a virada aconteceu quando um terceiro, sem interesse direto no resultado da disputa, foi incluído na conversa entre os sócios. Esse facilitador neutro não tomou partido nem propôs uma solução pronta. Seu papel foi outro: separar o que cada sócio dizia querer do que, de fato, estava em jogo para cada um deles. Essa distinção entre posição declarada e interesse real é o que costuma faltar quando as próprias partes tentam resolver o conflito sozinhas.

Haroldo Augusto Filho, da Fource Consultoria, esclarece que a presença de um facilitador neutro funciona menos como árbitro e mais como tradutor entre duas posições que, na superfície, parecem incompatíveis, mas que escondem interesses que podem, sim, ser conciliados. No caso da sociedade em questão, o que parecia uma disputa sobre uma contratação específica revelou, depois de algumas conversas estruturadas, uma divergência sobre o ritmo de crescimento que cada sócio considerava saudável para a empresa. Um deles quis a contratação como sinal de expansão; o outro a recusou por temer um crescimento descontrolado.

Uma vez nomeada essa divergência real, a negociação entre os sócios mudou de natureza. Deixou de ser sobre quem estava certo na decisão original e passou a ser sobre como construir um processo de decisão que respeitasse os dois ritmos de crescimento que cada um defendia. O acordo final não eliminou a diferença de visão entre eles, mas criou um mecanismo claro para que decisões futuras desse tipo passassem por um processo acordado, em vez de dependerem da boa vontade pontual de cada parte.

O que esse caso ensina sobre conflitos que ainda parecem pequenos?

A sociedade do exemplo sobreviveu, mas o custo do período de silêncio entre os sócios não desapareceu. Meses de decisões tensas, de comunicação reduzida e de desconfiança acumulada deixaram marcas que levaram tempo para se dissipar, mesmo depois do acordo formal sobre o processo de decisão. Esse é o aspecto menos discutido em gestão de conflitos corporativos: mesmo quando a resolução chega, ela não apaga o desgaste do período em que o conflito ficou sem tratamento adequado.

Haroldo Augusto Filho destaca que o valor real de intervir cedo num conflito não está apenas em evitar a ruptura final, mas em preservar a qualidade da relação durante todo o processo. Sociedades que aprendem a nomear divergências no momento em que elas surgem, em vez de deixar que se acumulem em silêncio, constroem um histórico de resolução que torna cada conflito seguinte mais fácil de administrar. O conflito que parecia pequeno, no fim, não era sobre a contratação. Era sobre o tipo de sociedade que os dois sócios ainda precisavam aprender a construir juntos.

Tag:Empresário Haroldo Augusto FilhoExecutivo Haroldo Augusto FilhoHaroldo Augusto FilhoO que aconteceu com Haroldo Augusto FilhoQuem é Haroldo Augusto FilhoTudo sobre Haroldo Augusto Filho
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