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O fim do Horizon Worlds em VR marca a virada de página da Meta no metaverso

Diego Velázquez
Última atualização 8 de julho de 2026 08:09
Por Diego Velázquez
Publicado 8 de julho de 2026
7 Min de leitura
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A Meta confirmou o encerramento definitivo do Horizon Worlds nos óculos de realidade virtual Quest, colocando um ponto final em um dos projetos mais simbólicos da história recente da empresa. O desligamento segue um cronograma já anunciado publicamente e representa o desfecho de uma aposta que começou em 2021, quando o Facebook trocou de nome para sinalizar que o futuro da companhia estaria dentro de mundos virtuais imersivos.

Contents
Um cronograma de encerramento já em andamentoComo a aposta bilionária perdeu forçaAções em alta e pressão de investidoresPara onde vai o dinheiro que antes ia para o metaversoO legado que sobrevive ao projeto originalO que analistas do setor já vinham apontandoUm capítulo que fecha um ciclo iniciado em 2021O que esperar para os próximos passos do setor

Um cronograma de encerramento já em andamento

Segundo comunicados divulgados pela própria empresa, o processo acontece em duas etapas. A partir de 31 de março de 2026, os mundos individuais do Horizon Worlds, incluindo espaços como Horizon Central, Events Arena, Kaiju e Bobber Bay, deixaram de aparecer na loja dos headsets Quest. Já a partir de 15 de junho de 2026, o aplicativo passou a não funcionar mais em realidade virtual, restando disponível apenas em versões para smartphones com iOS e Android. Trata-se de uma mudança que já vinha sendo sinalizada desde fevereiro, quando a Meta anunciou que separaria o Horizon Worlds do ecossistema Quest para redirecionar o foco quase exclusivamente ao ambiente mobile.

Como a aposta bilionária perdeu força

A decisão não surge isolada. A divisão Reality Labs, responsável pelos projetos de realidade virtual e aumentada da empresa, acumulou perdas superiores a 70 bilhões de dólares desde o início de 2021, de acordo com dados voltados ao mercado financeiro. Ao longo dos últimos dois anos, a companhia já havia dado sinais claros de recuo, com demissões no setor e o encerramento de estúdios de jogos em VR. O fechamento do Horizon Worlds em headsets é, portanto, o capítulo final de um processo gradual, e não uma ruptura repentina.

Ações em alta e pressão de investidores

O mercado reagiu de forma positiva às sinalizações de corte de investimentos no metaverso. Em determinado momento, as ações da Meta chegaram a subir mais de 5% na abertura dos pregões em Nova York, um dos maiores ganhos intradiários da companhia em meses. Essa reação reflete uma cobrança antiga de parte dos investidores, que passaram a enxergar o projeto do metaverso como um dreno de recursos sem retorno proporcional. Órgãos reguladores também vinham pressionando a empresa, principalmente por preocupações relacionadas à privacidade e à segurança de crianças em ambientes virtuais.

Para onde vai o dinheiro que antes ia para o metaverso

Com o recuo no Horizon Worlds, a Meta concentra seus investimentos em duas frentes consideradas estratégicas para o momento atual da tecnologia. A primeira é a inteligência artificial, incluindo o desenvolvimento de grandes modelos de linguagem que sustentam chatbots e ferramentas de IA generativa. A segunda é o segmento de dispositivos vestíveis, com destaque para os óculos inteligentes desenvolvidos em parceria com a Ray-Ban, que já concentram boa parte da atenção da Reality Labs. Executivos chegaram a discutir cortes de até 30% no orçamento do grupo responsável pelo metaverso, incluindo o Meta Horizon Worlds e a unidade de realidade virtual Quest, o que pode resultar em novas demissões.

O legado que sobrevive ao projeto original

Apesar do fim da versão em realidade virtual, nem tudo relacionado ao investimento em VR foi descartado. A própria Meta reforça que, apenas em 2025, destinou cerca de 150 milhões de dólares em programas voltados a desenvolvedores, e que o serviço de assinatura Meta Horizon Plus já havia superado a marca de 1 milhão de assinantes ativos, com um catálogo de mais de 100 jogos. Dados internos citados pela empresa indicam que 86% do tempo efetivo dos usuários nos headsets é gasto com aplicativos de desenvolvedores independentes, e não com produções próprias da companhia. Esse argumento sustenta a tese de que o Quest, como plataforma de hardware, pode continuar relevante mesmo sem o Horizon Worlds como carro-chefe social.

O que analistas do setor já vinham apontando

Vozes do mercado de tecnologia já antecipavam esse desfecho há algum tempo. Analistas de consultorias como a Forrester chegaram a defender publicamente que a Meta encerrasse de vez seus projetos de metaverso social, argumentando que a divisão consumia recursos sem gerar receita relevante e que abandonar essa frente permitiria concentrar esforços em iniciativas de inteligência artificial. Já consultorias como a Gartner, que em anos anteriores projetavam que uma fatia significativa da população passaria horas diárias em ambientes de metaverso, revisaram a leitura do conceito, afirmando que o termo foi mal compreendido e que hoje se manifesta como uma combinação de tecnologias, e não como um produto único e definido.

Um capítulo que fecha um ciclo iniciado em 2021

O caso do Horizon Worlds ilustra um movimento mais amplo dentro da própria indústria de tecnologia. A mudança do nome da empresa para Meta, em 2021, foi um dos gestos corporativos mais ousados dos últimos anos, sustentado pela convicção pessoal do fundador de que as pessoas passariam a trabalhar, comprar e se divertir dentro de mundos virtuais. Quatro anos depois, esse projeto específico chega ao fim com uma data marcada no calendário, ainda que a companhia continue investindo em hardware de realidade estendida e em óculos inteligentes com inteligência artificial embarcada.

O que esperar para os próximos passos do setor

O desfecho do Horizon Worlds não significa o fim das tecnologias imersivas, mas sim uma redefinição de prioridades dentro do próprio mercado. Especialistas que acompanham o setor apontam que a conversa deve migrar do termo metaverso para conceitos como realidade estendida aplicada à inteligência artificial, com o objetivo de ajudar usuários a interagir com sistemas de IA no mundo físico, e não necessariamente dentro de ambientes totalmente virtuais. Para o público que acompanha o desenvolvimento dessas tecnologias, o episódio funciona como um lembrete de que visões de futuro ambiciosas dependem de validação real de mercado para se sustentar ao longo do tempo.

Fontes consultadas:

  • Olhar Digital: https://olhardigital.com.br/2026/03/18/pro/fim-do-metaverso-meta-desativa-app-de-realidade-virtual-em-oculos-inteligentes/
  • Mundo Conectado: https://www.mundoconectado.com.br/realidade-virtual/meta-encerra-acesso-vr-horizon-worlds-junho-2026/
  • InfoMoney: https://www.infomoney.com.br/business/meta-planeja-cortes-de-ate-30-nos-investimentos-do-metaverso-em-2026/
  • StartSe: https://www.startse.com/artigos/o-metaverso-acabou-e-a-meta-ja-estava-de-olho-na-proxima-aposta-ha-tempo/
  • Euronews: https://www.euronews.com/next/2026/01/31/nobody-mourns-the-metaverse-what-went-wrong-with-zuckerbergs-vision-and-what-is-next-for-v
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