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Produtores rurais correm contra o tempo para entender as novas regras tributárias do agro

Diego Velázquez
Última atualização 24 de junho de 2026 13:18
Por Diego Velázquez Publicado 24 de junho de 2026 7 Min de leitura
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Parajara Moraes Alves Junior
Parajara Moraes Alves Junior
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O contador especialista em agronegócio, Parajara Moraes Alves Junior, expõe que a transição tributária prevista pela EC 132/2023 e detalhada pela LC 214/2025 deixou de ser um assunto de bastidores em escritórios de contabilidade e passou a ocupar rodas de conversa em cooperativas, sindicatos rurais e até em conversas informais entre vizinhos de fazenda. O motivo é simples: o novo modelo de tributação sobre bens e serviços muda a lógica que o setor seguiu por décadas, e o relógio da transição já está correndo.

Contents
O que a Reforma Tributária muda na prática para quem vive do campo?Por que o período de transição preocupa tanto quanto a reforma em si?Créditos tributários: a oportunidade que poucos produtores estão aproveitandoO risco de tratar a reforma como um problema só dos grandes produtoresComo a desorganização contábil pode transformar a reforma em prejuízo?O que vem depois da transição tributária no agro?

Para muitos produtores, a sensação é de estar correndo atrás de um trem que já partiu. As regras de transição, que se estendem por vários anos, criam um período híbrido em que regimes antigos e novos convivem, exigindo controles redobrados.

O problema não é apenas entender a letra da lei. É traduzir esse entendimento em decisões práticas dentro da fazenda, desde a forma de emitir notas fiscais até a estratégia de compra de insumos. E é exatamente nesse ponto que a maioria dos produtores ainda está perdida.

O que a Reforma Tributária muda na prática para quem vive do campo?

A unificação de tributos em um modelo de IVA dual, com a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) federal e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) estadual e municipal, altera a forma como o agronegócio recolhe impostos ao longo de toda a cadeia produtiva. Isso afeta produtores rurais, pessoa física, pessoa jurídica, agroindústrias e até cooperativas, cada um com regras específicas de transição.

Parajara Moraes Alves Junior aponta que um dos pontos mais sensíveis é o tratamento dado aos insumos agropecuários e ao chamado “cashback” para determinados produtos da cesta básica, que impacta indiretamente a precificação de boa parte da produção rural brasileira. Sem acompanhamento técnico, é fácil perder de vista como essas mudanças afetam a margem de cada safra.

Por que o período de transição preocupa tanto quanto a reforma em si?

Diferente de uma mudança de uma vez, a transição tributária do agro se estende por um cronograma plurianual, com alíquotas que vão sendo ajustadas gradualmente até a consolidação completa do novo sistema. Isso significa que, na prática, o produtor vai operar por anos sob duas lógicas tributárias simultâneas.

Parajara Moraes Alves Junior explica que esse cenário híbrido é terreno fértil para erros de apuração, duplicidade de cobrança e perda de créditos tributários por falta de organização documental. Não é incomum que produtores menores, sem suporte contábil especializado em agronegócio, simplesmente não percebam que estão pagando mais imposto do que deveriam durante essa fase.

Parajara Moraes Alves Junior
Parajara Moraes Alves Junior

Créditos tributários: a oportunidade que poucos produtores estão aproveitando

Um dos aspectos menos comentados da reforma é o sistema de não cumulatividade plena, que permite ao produtor rural recuperar créditos sobre praticamente todos os insumos e serviços adquiridos para a atividade. Na teoria, isso representa uma redução real de carga tributária ao longo da cadeia.

Na prática, porém, recuperar esses créditos depende de organização fiscal rigorosa, algo que ainda é exceção, não regra, em muitas propriedades rurais brasileiras. Consultores em planejamento tributário, sucessório e patrimonial rural, como Parajara Moraes Alves Junior, têm insistido que a estruturação contábil correta deixou de ser burocracia e passou a ser, literalmente, dinheiro deixado na mesa quando ignorada.

O risco de tratar a reforma como um problema só dos grandes produtores

Existe um equívoco comum entre pequenos e médios produtores: a ideia de que a Reforma Tributária é assunto apenas para grandes agroindústrias e exportadoras. Esse engano pode ser perigoso, porque as regras de transição alcançam praticamente toda a cadeia, incluindo quem vende para o mercado interno e quem opera por meio de regimes simplificados.

Parajara Moraes Alves Junior comenta que pequenas propriedades que não se anteciparem correm o risco de descobrir, já no meio da transição, que perderam prazos para adequação cadastral ou para ajuste de seus sistemas de emissão fiscal. Estes são problemas que, se identificados a tempo, teriam solução simples.

Como a desorganização contábil pode transformar a reforma em prejuízo?

Talvez o maior risco da reforma não esteja na lei em si, mas na falta de preparo de quem ainda lida com a contabilidade rural de forma improvisada, com lançamentos atrasados ou documentação incompleta. Em um sistema mais rígido em termos de rastreabilidade fiscal, esse tipo de desorganização tende a aparecer rapidamente, e com custo.

A boa notícia é que esse é um problema resolvível. Produtores que buscam orientação técnica qualificada conseguem transformar a obrigatoriedade da reforma em uma oportunidade de profissionalizar de vez a gestão fiscal da propriedade, em vez de apenas sofrer com mais uma mudança imposta de fora.

O que vem depois da transição tributária no agro?

A Reforma Tributária não é um evento isolado, mas o início de uma nova forma de relação entre o campo e o Fisco, mais transparente em alguns aspectos, mais exigente em outros. Os próximos anos vão separar produtores que se anteciparam daqueles que tentarão se ajustar às pressas, sob risco de autuações e perda de competitividade.

Nesse cenário, o papel de profissionais dedicados especificamente ao agronegócio ganha peso. Parajara Moraes Alves Junior tem reforçado que entender a reforma com profundidade técnica, e não apenas superficialmente, é o que vai diferenciar quem atravessa esse período com tranquilidade financeira de quem vai descobrir o problema tarde demais.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

Tag:CEO da Junior Contabilidade & Assessoria RuralConsultor em planejamento tributárioContador especialista em agronegócioO que aconteceu com Parajara Moraes Alves JuniorParajara Moraes Alves JuniorQuem é Parajara Moraes Alves JuniorTudo sobre Parajara Moraes Alves Junior
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