A nutrição equina é o alicerce que sustenta a saúde, o desempenho e a longevidade de qualquer cavalo, seja ele de trabalho, esporte ou lazer, como pontua Altevir Seidel. Grande parte dos problemas alimentares observados no dia a dia do haras nasce de um erro simples: acreditar que mais ração significa necessariamente mais energia disponível para o animal.
Tendo isso em vista, montar uma dieta equilibrada depende de compreender o papel central da forragem, os riscos reais do excesso de concentrado e os critérios técnicos que definem a quantidade ideal de ração para cada porte de animal. Pensando nisso, a seguir detalharemos cada uma dessas etapas com critérios práticos aplicáveis ao manejo diário.
Nutrição equina: A forragem como base de qualquer dieta
Conforme comenta Altevir Seidel, o sistema digestivo do cavalo evoluiu para processar grandes volumes de fibra ao longo do dia, não para receber refeições concentradas em poucos horários. Por isso, a forragem, seja pasto, feno ou capim picado, deve representar a maior parte do volume ingerido, geralmente entre 1,5% e 2% do peso corporal do animal em matéria seca diária.
Quando essa base é respeitada, o organismo mantém a flora intestinal estável e reduz a probabilidade de distúrbios digestivos. A dieta equilibrada começa, portanto, na quantidade e na qualidade da forragem oferecida, e não na quantidade de concentrado adicionada ao cocho para compensar eventuais falhas no manejo do pasto ou do feno.
Quais são os riscos do excesso de concentrado na dieta dos cavalos?
O concentrado em excesso sobrecarrega o intestino grosso com amido que não foi digerido no intestino delgado, gerando fermentação acelerada e produção de ácido láctico. Esse processo está diretamente relacionado a quadros de cólica, laminite e acidose subclínica, problemas que comprometem tanto a saúde quanto o desempenho do animal.
Ademais, de acordo com Altevir Seidel, além dos riscos clínicos, o excesso de ração eleva custos sem necessariamente trazer ganho proporcional em energia útil. Cavalos que recebem concentrado além da real demanda calórica tendem a acumular gordura, o que aumenta o risco de resistência à insulina e sobrecarrega articulações, especialmente em animais mais velhos ou com pouca atividade física regular.
Como calcular a quantidade certa de ração conforme o porte do cavalo?
O cálculo ideal parte do peso corporal estimado ou aferido do animal, multiplicado pelo percentual de matéria seca recomendado para a categoria, o que normalmente varia entre 0,5% e 1% do peso, dependendo do nível de atividade. Dentro desse total, o concentrado deve ocupar apenas a fração necessária para cobrir a energia que a forragem não supre. Além disso, a seguir, separamos alguns parâmetros gerais que ajudam a orientar o ajuste inicial da ração:
- Cavalos de pequeno porte (até 350 kg): necessitam de menor volume total, com concentrado limitado a pequenas porções fracionadas para evitar picos de glicose;
- Cavalos de médio porte (350 kg a 500 kg): toleram porções moderadas de concentrado, desde que a forragem continue representando a maior parte da dieta diária;
- Cavalos de grande porte ou atletas (acima de 500 kg): exigem cálculo mais criterioso, cruzando peso, nível de esforço e qualidade da forragem disponível.

No final, independentemente do porte, fracionar o concentrado em pelo menos duas ou três refeições reduz a sobrecarga digestiva e melhora o aproveitamento dos nutrientes. Ajustar a quantidade a cada poucas semanas, observando peso e condição corporal, evita tanto o excesso quanto a deficiência calórica ao longo do tempo.
Monitoramento constante evita erros silenciosos na dieta
Nenhuma fórmula genérica substitui a observação direta do animal ao longo do tempo. Conforme ressalta Altevir Seidel, o escore de condição corporal, a qualidade do pelo e o comportamento durante as refeições oferecem sinais mais confiáveis do que qualquer tabela padronizada de mercado, especialmente em propriedades com diferentes raças e finalidades de uso.
Além disso, mudanças sazonais na qualidade do pasto e no nível de trabalho exigem revisões periódicas na proporção entre forragem e concentrado. Ignorar essas variações é um dos motivos mais comuns para o excesso de ração se instalar de forma gradual, quase sem que o responsável pelo manejo perceba o desequilíbrio se formando.
A importância do equilíbrio na dieta de um cavalo
Em última análise, a nutrição equina bem conduzida não é sobre oferecer mais, mas sobre oferecer o que realmente cumpre função no organismo do animal. Isto posto, o maior erro do manejo alimentar moderno é tratar o concentrado como sinônimo de cuidado, quando, na verdade, o verdadeiro cuidado está na leitura atenta das necessidades reais de cada cavalo.

