A Meta confirmou, em 17 de março de 2026, o encerramento definitivo do Horizon Worlds, plataforma que representava o núcleo da aposta da empresa no metaverso desde 2021. A partir de 31 de março, o aplicativo deixou de aparecer na loja dos headsets Meta Quest, e mundos de interação como Horizon Central, Events Arena, Kaiju e Bobber Bay foram removidos da plataforma. Em 16 de junho, o aplicativo saiu de circulação por completo, deixando de funcionar em realidade virtual. O anúncio encerra um capítulo que começou com uma das apostas mais ousadas do Vale do Silício: a mudança de nome da empresa, de Facebook para Meta, e o investimento de bilhões de dólares na construção de mundos virtuais imersivos. Fonte: StartSe
Números que explicam a decisão
Os relatórios financeiros da Meta ajudam a entender a magnitude do recuo. A divisão Reality Labs, responsável pelos projetos de realidade virtual e metaverso, acumulou prejuízos crescentes ao longo dos últimos anos. Segundo reportagem da Euronews, o negócio de realidade virtual da empresa consumiu 19,1 bilhões de dólares somente no último ano completo de operação, com 6,2 bilhões de dólares perdidos apenas no último trimestre. A companhia já havia demitido cerca de 10% da equipe da divisão no início do ano, atingindo principalmente engenheiros de dados, desenvolvedores de software e criadores de jogos ligados ao metaverso. Fonte: Euronews
Para onde vão os recursos que antes sustentavam o metaverso
Com o fechamento do Horizon Worlds, a Meta redirecionou boa parte de seus investimentos para dois eixos considerados prioritários pela liderança da empresa. O primeiro é a inteligência artificial, incluindo a busca declarada por modelos de superinteligência, um dos objetivos mais ambiciosos anunciados por Mark Zuckerberg nos últimos tempos. O segundo eixo são os óculos inteligentes, categoria em que a empresa já se posicionou como referência de mercado através da linha Ray-Ban Meta. Essa migração de prioridades não significa um abandono total de tecnologias imersivas, mas indica que o formato de mundos virtuais totalmente dedicados, como era o Horizon Worlds, perdeu espaço frente a produtos que já demonstraram tração comercial mais imediata.
O metaverso migra do headset para o smartphone
Antes mesmo do anúncio do encerramento definitivo, a Meta já vinha sinalizando uma reformulação na estratégia de distribuição do Horizon Worlds. Em fevereiro de 2026, a empresa informou que a plataforma deixaria de ser exclusiva dos dispositivos Quest e passaria a ser, segundo comunicado oficial, “quase exclusivamente mobile”. A intenção declarada era alcançar um público mais amplo, que poderia acessar experiências sociais e jogos por meio do celular, sem depender de um headset de realidade virtual. Uma executiva da empresa afirmou, na ocasião, que a Meta estava em posição forte para oferecer jogos sociais síncronos em larga escala, aproveitando a capacidade de conectar essas experiências a bilhões de usuários já presentes nas redes sociais do grupo. Fonte: Notícias ao Minuto
O que dizem os especialistas sobre o futuro da realidade virtual
Apesar do fim simbólico representado pelo Horizon Worlds, especialistas ouvidos pela Euronews defendem que o recuo da Meta pode, paradoxalmente, beneficiar o setor de realidade virtual como um todo. A avaliação é de que a concentração excessiva de recursos e expectativas em um único projeto ofuscava outras iniciativas do mercado, e que a retirada de um player tão grande abre espaço para abordagens mais enxutas e focadas em aplicações específicas, como treinamento corporativo, saúde e entretenimento segmentado. Essa leitura contrasta com o discurso predominante em 2021, quando o metaverso era apresentado como uma revolução iminente na forma como as pessoas trabalhariam, comprariam e se relacionariam.
Contexto regulatório também pesou na decisão
O projeto do metaverso da Meta enfrentava críticas não apenas de investidores, que o classificavam como um dreno de recursos, mas também de órgãos reguladores preocupados com privacidade e segurança de crianças em ambientes virtuais. Reportagem do InfoMoney mostrou que essa pressão regulatória, somada à resistência de mercados como a Europa a normas mais rígidas de proteção de dados, contribuiu para o enfraquecimento gradual do projeto ao longo dos últimos dois anos. Ainda de acordo com a publicação, a expectativa de cortes no orçamento da divisão chegava a 30% já nas discussões internas do fim de 2025, o que antecipava, em certa medida, o desfecho anunciado em março. Fonte: InfoMoney
O que esse capítulo ensina sobre o ciclo de vida de tecnologias imersivas
O caso do Horizon Worlds se tornou um estudo relevante sobre como visões tecnológicas ambiciosas nem sempre encontram validação real no mercado. A promessa de um espaço digital coletivo, persistente e acessível por qualquer dispositivo, tal como definida por consultorias como a Gartner ainda em 2022, mostrou-se mais difícil de concretizar do que o previsto inicialmente. Isso não significa que o conceito de metaverso tenha desaparecido por completo, mas sim que sua aplicação prática está sendo redesenhada, com foco maior em nichos específicos e em integração com inteligência artificial, em vez de uma plataforma única e generalista tentando abraçar todos os usos possíveis.
O que ainda resta do ecossistema imersivo da Meta
Mesmo com o fim do Horizon Worlds, a Meta mantém presença relevante no universo de tecnologias imersivas por meio de outras frentes, como os dispositivos Quest voltados a jogos e experiências específicas, além da linha de óculos inteligentes desenvolvida em parceria com a Ray-Ban. A diferença central está no posicionamento: em vez de apostar em um mundo virtual abrangente e social como pilar central do negócio, a empresa parece se movimentar para produtos com utilidade mais imediata e testada, à espera de que o mercado amadureça organicamente antes de retomar apostas maiores em ambientes totalmente imersivos.
Fontes:
https://www.startse.com/artigos/o-metaverso-acabou-e-a-meta-ja-estava-de-olho-na-proxima-aposta-ha-tempo/https://www.infomoney.com.br/business/meta-planeja-cortes-de-ate-30-nos-investimentos-do-metaverso-em-2026/https://www.noticiasaominuto.com.br/tech/2360239/o-metaverso-da-meta-esta-a-caminho-dos-smartphoneshttps://www.euronews.com/next/2026/01/31/nobody-mourns-the-metaverse-what-went-wrong-with-zuckerbergs-vision-and-what-is-next-for-v

