A leitura é lembrada como fonte de conhecimento e entretenimento, mas pesquisas recentes indicam que seus benefícios podem ir além. Alfredo Moreira Filho, empresário e autor do livro “Pequenas Histórias e Algumas Percepções”, diz que manter o hábito de ler em todas as fases da vida é uma forma de cultivar a curiosidade e a reflexão, qualidades que se tornam ainda mais valiosas com o passar dos anos.
Estudos realizados em universidades dos Estados Unidos associaram a leitura frequente a uma vida mais longa e a um envelhecimento cerebral mais lento. Os resultados são promissores, embora exijam interpretação cuidadosa. Entenda, nos tópicos a seguir, o que os pesquisadores descobriram e como transformar a leitura em um hábito duradouro.
O estudo que associou leitura a uma vida mais longa
Pesquisadores da Escola de Saúde Pública da Universidade Yale, liderados pela professora Becca Levy, acompanharam milhares de adultos com mais de 50 anos ao longo de cerca de doze anos. Os participantes foram divididos de acordo com o tempo dedicado à leitura de livros, jornais e revistas.
Os resultados mostraram que quem lia livros tinha um risco de mortalidade cerca de 20% menor no período analisado, o que correspondeu, em média, a quase dois anos a mais de vida em relação aos que não liam livros. O efeito foi mais forte para livros do que para jornais e revistas, possivelmente porque a leitura de obras longas exige mais concentração e estabelecimento de conexões entre ideias. Conforme sustenta Alfredo Moreira, a leitura de livros envolve um tipo de atenção profunda que outros formatos raramente oferecem.
Atividade intelectual e envelhecimento do cérebro
Outra linha de pesquisa foi conduzida no Centro Médico da Universidade Rush, em Chicago, pelo neuropsicólogo Robert Wilson. Os pesquisadores acompanharam idosos que relatavam com que frequência praticavam atividades intelectuais, como ler, escrever e frequentar bibliotecas, ao longo de diferentes fases da vida.

Após a morte dos participantes, os cérebros foram analisados. O estudo concluiu que a atividade intelectual frequente esteve associada a um declínio cognitivo mais lento, mesmo considerando as alterações físicas encontradas no cérebro. Quem manteve o hábito na velhice apresentou uma redução mais lenta da memória em comparação à média. Como considera Alfredo Moreira Filho, esses dados reforçam a importância de manter a mente ativa muito além dos anos de estudo formal.
O conceito de reserva cognitiva
Para explicar esses resultados, os cientistas recorrem ao conceito de reserva cognitiva, desenvolvido pelo neurocientista Yaakov Stern, da Universidade Columbia. A ideia é que experiências intelectualmente estimulantes ao longo da vida, como estudar, ler e aprender coisas novas, ajudam o cérebro a criar formas alternativas de funcionar.
Com isso, pessoas com maior reserva cognitiva conseguem manter o desempenho por mais tempo, mesmo diante das mudanças naturais do envelhecimento. A leitura é uma das atividades que mais contribuem para essa reserva, porque estimula vocabulário, memória, raciocínio e imaginação ao mesmo tempo. Sob o entendimento de Alfredo Moreira, cada livro lido funciona como um investimento de longo prazo na capacidade de pensar e compreender o mundo.
Como manter o hábito em todas as idades?
É importante, porém, interpretar esses estudos com cautela. Eles mostram associações, e não comprovam que a leitura, sozinha, prolonga a vida. Pessoas que leem mais podem ter outras características que também favorecem a saúde, como maior escolaridade ou acesso a serviços. Ainda assim, os pesquisadores consideram que os resultados justificam o incentivo ao hábito.
Algumas estratégias ajudam a manter a leitura em dia: reservar um horário fixo, mesmo que curto, alternar gêneros para manter o interesse, participar de clubes de leitura e aproveitar bibliotecas públicas. Para quem tem dificuldade de visão, livros com letras ampliadas e audiolivros são alternativas. Em linha com o que expõe Alfredo Moreira Filho, nunca é tarde para começar, e cada fase da vida oferece novas histórias e percepções a serem descobertas nas páginas de um livro.

