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Brasil

CVM avança na tokenização no Brasil e aproxima ativos digitais do futuro do metaverso

Claudio Marvelli
Por Claudio Marvelli
24 de setembro de 2026
11 Min de leitura
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Novo piloto regulatório pretende testar operações com valores mobiliários em redes distribuídas e pode acelerar aplicações de Web3 no país.

Contents
O que a nova proposta da CVM muda para a tokenização no BrasilPor que a tokenização interessa ao metaverso brasileiroO que pode acontecer com Web3, ativos digitais e experiências imersivas

A tokenização ganhou um novo capítulo no Brasil em setembro de 2026, justamente em uma área que pode ajudar a conectar a infraestrutura financeira tradicional ao universo da Web3. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) entregou ao seu colegiado uma minuta para criar o Programa Piloto DLT CVM, destinado a testar operações com valores mobiliários em redes de tecnologia de registro distribuído. A proposta inclui etapas como emissão, negociação, custódia e liquidação de ativos digitais, permitindo avaliar na prática os limites técnicos, jurídicos e operacionais dessa tecnologia. (Serviços e Informações do Brasil)

Embora a iniciativa não seja um projeto de metaverso propriamente dito, ela toca uma das bases que podem sustentar ambientes digitais mais integrados: a possibilidade de representar direitos e ativos por meio de registros digitais verificáveis. Para quem acompanha o metaverso brasileiro, a pergunta deixa de ser apenas quando experiências virtuais vão se popularizar e passa a envolver também como propriedade, pagamentos e ativos digitais poderão funcionar nesses ambientes. É nesse ponto que a tokenização começa a ganhar importância para além do mercado financeiro.

O que a nova proposta da CVM muda para a tokenização no Brasil

A proposta apresentada pelo Grupo de Trabalho de Tokenização da CVM prevê operações experimentais utilizando redes de tecnologia de registro distribuído, conhecidas pela sigla DLT. A minuta permite testar diferentes etapas do ciclo de vida de valores mobiliários, incluindo emissão, oferta, distribuição, negociação, escrituração, custódia, depósito centralizado e liquidação. Entre os ativos que podem fazer parte dos testes estão ações, debêntures, certificados de recebíveis, cotas de fundos de investimento e outros títulos ou contratos de investimento coletivo. (Serviços e Informações do Brasil)

O ponto importante é que a CVM não está simplesmente anunciando uma migração geral do mercado para blockchain. O objetivo declarado do piloto é verificar se a tecnologia funciona de maneira adequada em situações reais, além de identificar riscos, vulnerabilidades, problemas de interoperabilidade e eventuais lacunas regulatórias. A autarquia também prevê acompanhamento direto das redes voluntárias selecionadas, inclusive com possibilidade de leitura em tempo real dos registros das operações. (Serviços e Informações do Brasil)

Para o brasileiro que acompanha Web3, isso ajuda a explicar uma mudança importante no debate sobre ativos digitais. Tokenização não significa necessariamente criar uma criptomoeda ou um NFT, mas transformar a representação de determinado direito ou ativo em um registro digital estruturado para circular em uma infraestrutura distribuída. Dependendo do modelo utilizado, isso pode facilitar processos que hoje dependem de diferentes sistemas, intermediários e etapas de conferência. A experiência do piloto poderá indicar quais ganhos são efetivamente viáveis e quais obstáculos ainda precisam ser resolvidos.

O programa também tem duração definida para os testes. Segundo a CVM, as operações experimentais deverão durar 60 dias, com possibilidade de prorrogação por até 30 dias, e os participantes precisarão apresentar relatórios ao Comitê Gestor responsável pela avaliação. O resultado poderá contribuir para futuras mudanças regulatórias, mas isso não significa que uma adoção ampla esteja automaticamente garantida. (Serviços e Informações do Brasil)

Por que a tokenização interessa ao metaverso brasileiro

A conexão entre tokenização e metaverso aparece quando se observa o problema da propriedade digital. Em ambientes virtuais, uma pessoa pode possuir um avatar, participar de uma experiência imersiva, adquirir um item digital ou acessar determinado serviço, mas a utilidade econômica desses elementos depende de como identidade, propriedade, pagamentos e regras de transferência são estruturados. A Web3 surgiu justamente com propostas para ampliar o papel de redes descentralizadas nesses processos, embora diferentes projetos adotem modelos técnicos e econômicos bastante distintos.

Um mercado de ativos tokenizados também pode criar pontes entre o mundo físico e experiências digitais. Imagine, por exemplo, uma plataforma imersiva em que determinados direitos, ingressos ou ativos digitais estejam associados a registros verificáveis e possam ser movimentados dentro de regras previamente definidas. Isso não significa que esses usos já estejam liberados pela nova proposta da CVM, mas mostra por que a infraestrutura de tokenização é acompanhada com atenção por quem trabalha com Web3, realidade virtual, jogos e identidades digitais. O piloto regulatório pode ajudar a esclarecer quais aplicações conseguem sair do conceito e funcionar dentro de estruturas supervisionadas.

A discussão já vinha avançando no país antes da nova minuta. Em julho, a CVM criou o Grupo de Trabalho de Tokenização com representantes de 14 componentes organizacionais da autarquia, atribuindo ao grupo a tarefa de estudar, testar e formular recomendações sobre registro, depósito, custódia, negociação e liquidação de valores mobiliários em DLTs. (Serviços e Informações do Brasil) Em setembro, representantes da comissão também participaram de debates sobre os caminhos da tokenização de ativos mobiliários no Brasil, mostrando que o assunto passou a ocupar espaço mais estruturado na agenda institucional.

Outro sinal veio de um fórum internacional realizado em Nova York em 16 de setembro. Na ocasião, o presidente da CVM participou de um painel dedicado à expansão da infraestrutura de tokenização e à chamada era institucional dos ativos digitais. O encontro não representa uma mudança automática nas regras brasileiras, mas demonstra que a discussão sobre infraestrutura, regulação, compliance e gestão de riscos está sendo tratada também em um contexto internacional. (Serviços e Informações do Brasil)

O que pode acontecer com Web3, ativos digitais e experiências imersivas

Para o metaverso no Brasil, o avanço da tokenização pode ser observado como parte de uma infraestrutura maior, e não como uma tecnologia isolada. Ambientes virtuais dependem de computação, conectividade, identidade digital, segurança, sistemas de pagamento e mecanismos capazes de registrar direitos e transações. Quando essas camadas evoluem simultaneamente, torna-se possível imaginar experiências digitais mais complexas, nas quais a economia virtual esteja conectada de maneira mais estruturada à economia tradicional.

Isso também pode influenciar setores como entretenimento, educação, eventos e games. Um evento imersivo poderia, em determinados modelos futuros, trabalhar com ativos digitais vinculados a direitos específicos, enquanto plataformas educacionais poderiam experimentar certificados digitais verificáveis. Jogos também podem explorar itens digitais e economias internas, desde que seus modelos estejam adequados às regras aplicáveis. O ponto central é que a tokenização amplia as possibilidades de representação digital, mas não elimina questões relacionadas a segurança, governança, proteção do consumidor e responsabilidade das empresas.

O próprio desenho do piloto mostra que a CVM pretende testar essas possibilidades com cautela. A autarquia quer avaliar não apenas se uma operação pode ser registrada em uma rede distribuída, mas também se diferentes redes conseguem conversar entre si e quais vulnerabilidades aparecem durante o processo. (Serviços e Informações do Brasil) Essa preocupação é especialmente relevante para o metaverso, porque experiências imersivas futuras dificilmente dependerão de uma única plataforma ou de um único sistema tecnológico.

Para quem acompanha o setor no Brasil, portanto, o principal efeito imediato da notícia não é a chegada de um novo metaverso, mas a criação de um ambiente de experimentação para uma das tecnologias associadas à Web3. O país começa a construir referências mais concretas sobre como ativos tokenizados podem funcionar sob supervisão regulatória. A partir dos resultados, será possível entender melhor quais aplicações têm potencial de escala e quais exigem novas soluções técnicas ou jurídicas.

O movimento também acontece em paralelo a uma expansão da pesquisa brasileira em realidade virtual e ambientes imersivos. Em Goiânia, a Universidade Federal de Goiás sediará, entre 29 de setembro e 2 de outubro, eventos simultâneos dedicados a jogos digitais, realidade virtual e aumentada, computação gráfica e ambientes virtuais, incluindo o ICAT-EGVE 2026, o SVR 2026 e o SBGames 2026. (ICAT-EGVE 2026) A proximidade temporal entre essas iniciativas reforça que o ecossistema brasileiro está discutindo diferentes peças do futuro digital ao mesmo tempo.

O avanço da tokenização no Brasil indica, assim, que o desenvolvimento da Web3 pode acontecer de forma menos dependente de grandes anúncios sobre mundos virtuais e mais ligado à construção de infraestrutura. O piloto da CVM ainda precisa passar pelas etapas institucionais previstas, e seus resultados serão necessários para saber quais modelos poderão avançar. (Serviços e Informações do Brasil) Para o leitor interessado em metaverso, a questão mais relevante agora é acompanhar como esses testes podem transformar conceitos como propriedade digital, identidade e transações em aplicações concretas. Se essa infraestrutura amadurecer junto com VR, AR, IA e plataformas imersivas, o metaverso brasileiro poderá ganhar uma camada econômica mais estruturada nos próximos anos.

Fonte:

  • CVM — proposta de Programa Piloto DLT para testar tokenização no mercado de capitais (Serviços e Informações do Brasil)
  • CVM — fórum internacional sobre tokenização e ativos digitais em Nova York (Serviços e Informações do Brasil)
  • Universidade Federal de Goiás — SBGames, SVR, Sibgrapi e ICAT-EGVE 2026 (ufg.br)
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