Agenda da Samsung Ocean mostra como a formação tecnológica pode acelerar a entrada de brasileiros no desenvolvimento do metaverso.
A expansão do metaverso no Brasil não depende apenas de grandes empresas lançando mundos virtuais ou de novos óculos de realidade virtual. Um movimento menos chamativo, mas importante para o futuro desse mercado, está acontecendo nas salas de aula e nos cursos de formação tecnológica. Em agosto, a programação gratuita da Samsung Ocean inclui atividades diretamente relacionadas ao metaverso, programação e desenvolvimento de jogos, aproximando estudantes e interessados das ferramentas que podem sustentar experiências digitais imersivas.
O caso chama atenção porque transforma o conceito de metaverso em uma habilidade prática. Em vez de tratar o tema apenas como uma tendência distante, a iniciativa apresenta conteúdos ligados à programação e à criação de experiências digitais. A dúvida que surge para quem acompanha essa transformação é: como o metaverso está realmente chegando ao Brasil e quais conhecimentos serão necessários para construir os ambientes imersivos do futuro?
Formação em tecnologia pode ser uma das portas de entrada para o metaverso brasileiro
A agenda de agosto da Samsung Ocean inclui atividades gratuitas e com certificado em diversas áreas tecnológicas, entre elas uma trilha específica dedicada ao metaverso. Em 18 de agosto, o programa ofereceu a atividade “Introdução à programação para o Metaverso”, colocando o desenvolvimento de software no centro da discussão sobre ambientes virtuais. Para 21 de agosto, a programação prevê uma atividade de “Introdução ao desenvolvimento de jogos”, enquanto 26 de agosto terá uma aula sobre aplicações do metaverso na saúde.
Essa sequência ajuda a entender uma mudança importante na forma como o metaverso pode crescer no país. A tecnologia não depende somente de usuários consumindo experiências prontas; ela precisa de profissionais capazes de programar ambientes, desenvolver jogos, criar interfaces e integrar recursos de inteligência artificial. A própria agenda oficial da Samsung Ocean mostra essa conexão ao reunir metaverso, programação, inteligência artificial, jogos e outras áreas de desenvolvimento em uma mesma programação de capacitação.
Para quem está começando, isso significa que “trabalhar com metaverso” pode representar muito mais do que criar um avatar. Programação, desenvolvimento de games, experiência do usuário, modelagem tridimensional, inteligência artificial e tecnologias imersivas fazem parte de um ecossistema que pode alimentar futuras plataformas virtuais. Em outras palavras, o mercado brasileiro pode estar construindo sua infraestrutura humana antes mesmo de existir uma adoção massiva do metaverso entre consumidores.
O movimento também mostra por que a educação tecnológica deve ser acompanhada de perto. Quando cursos e oficinas apresentam ferramentas relacionadas ao desenvolvimento de ambientes virtuais, o conceito deixa de ser exclusivamente associado a grandes companhias internacionais e passa a fazer parte da formação de novos desenvolvedores brasileiros. Para o usuário comum, isso pode resultar, no médio prazo, em experiências digitais mais adaptadas à realidade local, com aplicações em entretenimento, treinamento, educação, comércio e serviços.
Jogos e experiências imersivas aproximam o metaverso do público brasileiro
Outro sinal dessa aproximação aparece na combinação entre gaming e realidade virtual. Nos dias 15 e 16 de agosto, o UNIFAGOC Game Party 2026, em Ubá, Minas Gerais, levou experiências de realidade virtual ao público e incluiu competições de Beat Saber, além de outros jogos e atrações relacionadas à cultura gamer. O evento mostra como a realidade virtual pode ser apresentada ao público em ambientes de entretenimento, sem exigir que o visitante tenha conhecimento prévio sobre metaverso ou tecnologias imersivas.
Essa relação entre games e metaverso é estratégica porque os jogos funcionam como uma das formas mais acessíveis de experimentar mundos tridimensionais. O jogador já está acostumado a controlar personagens, explorar ambientes virtuais, interagir com objetos digitais e participar de experiências compartilhadas. Quando elementos como realidade virtual, avatares, inteligência artificial e economia digital são adicionados, parte da infraestrutura necessária para experiências de metaverso já está presente no universo gamer.
Há também aplicações que vão além do entretenimento. O Senac, por exemplo, programou para 28 de agosto uma atividade em São Paulo na qual participantes poderão utilizar óculos de realidade virtual para explorar espaços culturais, além de experiências relacionadas a drones e ambientes imersivos. Em Santo André, outra atividade prevista para a mesma data envolve maquetes interativas desenvolvidas com Unreal Engine e óculos de realidade virtual.
Esses exemplos ajudam a responder uma dúvida frequente: o metaverso precisa necessariamente ser um grande mundo virtual permanente? Não. A realidade imersiva pode ser aplicada de maneira específica, como em treinamento, educação, cultura, arquitetura, saúde e entretenimento, sem que o usuário precise viver conectado a um universo digital durante todo o dia. Esse modelo mais prático pode ser especialmente relevante para o Brasil, onde a adoção tende a avançar conforme as tecnologias demonstram utilidade concreta.
O que esses movimentos revelam sobre o futuro do metaverso no Brasil
A principal mudança está na passagem do discurso para a experimentação. Cursos de programação para metaverso, desenvolvimento de jogos e atividades com óculos de realidade virtual mostram que a tecnologia começa a ser apresentada como ferramenta que pode ser aprendida e aplicada, e não apenas como uma promessa de futuro. A agenda da Samsung Ocean é particularmente significativa porque oferece acesso gratuito e remoto em diversas atividades, ampliando a possibilidade de participação de pessoas de diferentes regiões do país.
Esse processo também pode favorecer a formação de um ecossistema nacional. Quanto mais estudantes e profissionais aprendem a criar aplicações tridimensionais, jogos e experiências imersivas, maior tende a ser a capacidade de empresas brasileiras desenvolverem soluções próprias. Isso pode beneficiar áreas como educação profissional, indústria, treinamento corporativo, turismo, varejo, saúde e cultura, setores nos quais ambientes virtuais podem funcionar como complemento às experiências presenciais.
A inteligência artificial deve ser outra peça importante dessa evolução. Na programação de agosto da Samsung Ocean, atividades de IA aparecem lado a lado com conteúdos de metaverso e desenvolvimento, incluindo temas como agentes de IA e inteligência artificial generativa. A combinação pode permitir ambientes virtuais mais responsivos, personagens capazes de interagir de maneira dinâmica e sistemas que personalizam experiências de acordo com cada usuário.
Para o Brasil, portanto, o avanço do metaverso pode acontecer de maneira diferente da visão popularizada nos primeiros anos do conceito. Em vez de depender de uma única plataforma gigantesca, o ecossistema pode crescer por meio de pequenas experiências, jogos, aplicações educacionais, ferramentas profissionais e projetos de realidade virtual. O resultado é um metaverso mais distribuído, conectado a necessidades reais e desenvolvido também por profissionais brasileiros.
O cenário atual indica que a pergunta mais útil já não é apenas quando o metaverso finalmente chegará ao Brasil. Ele já está aparecendo em cursos, jogos, experiências educacionais e aplicações de realidade virtual, ainda que de forma fragmentada. A questão agora é saber quais dessas experiências conseguirão se transformar em soluções utilizadas de maneira recorrente.
Para quem deseja acompanhar esse mercado, vale observar principalmente três frentes: formação profissional, evolução dos dispositivos imersivos e integração com inteligência artificial. A expansão dessas áreas pode determinar quanto o Brasil participará da próxima geração da internet espacial e de experiências digitais tridimensionais. O metaverso brasileiro, ao que indicam esses movimentos recentes, pode estar sendo construído menos por grandes anúncios e mais por pessoas aprendendo a criar aquilo que os usuários utilizarão no futuro.
Fontes:
- Samsung Newsroom Brasil — agenda de agosto do Samsung Ocean — cursos gratuitos que incluem programação, metaverso e outras áreas de tecnologia.
- Samsung Ocean — agenda oficial de atividades — programação de agosto de 2026 e trilhas relacionadas ao metaverso.
- UNIFAGOC — programação do Game Party 2026 — evento realizado em 15 e 16 de agosto, com experiência de Beat Saber em realidade virtual.
- UNIFAGOC — inscrições e informações do Game Party 2026 — informações oficiais sobre a 13ª edição do evento de games.
- Senac São Paulo — curso de Experiências em Marketing no Metaverso — mostra a aplicação de Web3 e metaverso na formação profissional.
- Prefeitura de São Paulo — Escola Metaverso — iniciativa municipal com conteúdos práticos sobre blockchain, Web3, realidade virtual e metaverso.

