A XREAL abriu, em 16 de junho de 2026, as reservas do XREAL AURA, dispositivo de computação espacial desenvolvido para funcionar com o Android XR. O produto combina óculos com lentes ópticas transparentes e um módulo externo de processamento, chamado pela fabricante de computing puck. A previsão é que o equipamento chegue ao mercado no outono de 2026 no hemisfério norte, mas a empresa ainda não divulgou uma data comercial exata.
O anúncio foi realizado durante a AWE 2026 e também foi registrado pelo Google. A proposta coloca a XREAL entre as empresas que buscam ampliar o uso de dispositivos espaciais para além dos headsets tradicionais, combinando um formato semelhante ao de óculos com recursos de realidade aumentada, inteligência artificial e interação tridimensional.
Como funciona o XREAL AURA
Segundo a página oficial do XREAL AURA, o dispositivo terá campo de visão de 70 graus e duas telas Micro-OLED, cada uma com resolução de 1.920 por 1.200 pixels. A taxa de atualização poderá chegar a 120 Hz. Esses elementos foram projetados para exibir conteúdos digitais diante do usuário, mantendo a visualização do ambiente físico por meio das lentes transparentes.
O equipamento também contará com rastreamento espacial em seis graus de liberdade, conhecido pela sigla 6DoF, além de rastreamento das mãos e suporte a comandos de voz. Na prática, esses recursos permitem que o sistema reconheça movimentos e posição no espaço para posicionar elementos virtuais com maior estabilidade. A integração com o Gemini, assistente de inteligência artificial do ecossistema Android XR, será outra parte central da experiência.
Processamento dividido entre óculos e módulo externo
Em vez de concentrar todos os componentes no corpo dos óculos, o XREAL AURA dividirá o processamento entre as duas partes do produto. O módulo externo utilizará a plataforma Snapdragon Reality Elite, enquanto os óculos terão o coprocessador espacial XREAL X1S. A arquitetura pode ajudar a distribuir funções de processamento e manter o formato do dispositivo mais próximo ao de um par de óculos.
O módulo e os óculos serão acompanhados por conectividade Wi-Fi 6/6E e Bluetooth 5.3. O produto também terá entrada DisplayPort para conexão com computadores, notebooks e consoles portáteis. De acordo com as informações comerciais divulgadas pela XREAL, haverá opções de armazenamento de 256 GB e 512 GB.
Aplicativos, trabalho virtual e conteúdo imersivo
A XREAL afirma que o AURA foi concebido como uma plataforma completa de computação espacial, e não apenas como uma tela externa para outro aparelho. O sistema deverá executar aplicativos disponíveis no Google Play, criar ambientes virtuais de trabalho e exibir conteúdos imersivos. A combinação entre rastreamento espacial, comandos de voz e interação pelas mãos busca aproximar o dispositivo de uma experiência computacional independente.
O uso do Android XR também é relevante para o ecossistema do produto. A plataforma do Google foi desenvolvida para dispositivos de realidade estendida, reunindo aplicativos, recursos de inteligência artificial e ferramentas voltadas à compreensão do ambiente. No caso do AURA, a integração com o Gemini pretende acrescentar possibilidades de assistência contextual e controle por voz, embora a experiência final dependa da implementação comercial do sistema.
Reservas não equivalem à compra imediata
A abertura das reservas não significa que o XREAL AURA já esteja disponível para entrega. Na página oficial, a fabricante informa que o preço da versão básica não deverá ultrapassar US$ 1.500 antes de impostos. O valor definitivo, porém, ainda será anunciado, assim como as configurações comerciais completas do produto.
As reservas estão disponíveis para os Estados Unidos, o Reino Unido, o Japão, a Coreia do Sul e diversos países europeus. Até as informações consultadas, não havia confirmação de disponibilidade comercial no Brasil. Também permanecem sem definição pública a data exata de lançamento e as condições de venda para o mercado brasileiro.
Com o AURA, a XREAL aposta em uma combinação de óculos leves, processamento externo e recursos do Android XR para disputar espaço no mercado de computação espacial. O produto reúne especificações avançadas de imagem e rastreamento, mas sua avaliação definitiva dependerá do preço final, da autonomia, da experiência com aplicativos e da disponibilidade regional quando o lançamento ocorrer.

