O Google levou três experiências de realidade estendida ao 83º Festival Internacional de Cinema de Veneza, realizado na Itália entre 2 e 12 de setembro de 2026. Os projetos receberam apoio da equipe 100 ZEROS e foram apresentados na programação Venice Immersive, seção dedicada a obras de realidade virtual, realidade aumentada, realidade mista e outros formatos imersivos.
O anúncio foi divulgado pelo Google em 11 de setembro. As produções exploram diferentes formas de combinar inteligência artificial generativa, áudio e imagem espacial, profundidade estereoscópica e interação com o público. O conjunto também evidencia a aproximação entre a linguagem cinematográfica e as experiências desenvolvidas para dispositivos de realidade estendida.
Três projetos em diferentes formatos imersivos
Entre os destaques está NEVATARS, curta de animação em realidade mista dirigido por Andy Serkis e Josh Nelson Youssef. A obra utiliza conversas alimentadas pelo Gemini e momentos interativos para desenvolver uma narrativa relacionada à criatividade e à identidade artística.
Em vez de limitar a participação do espectador à observação de uma sequência audiovisual, a experiência incorpora interações ao desenvolvimento da história. O uso do Gemini aparece, nesse contexto, como parte da construção de conversas e situações narrativas dentro do ambiente imersivo.
A produção também integra a seleção oficial do Venice Immersive, conforme a página de NEVATARS na La Biennale di Venezia. A presença no festival coloca a obra em um espaço voltado especificamente à experimentação com novas formas de contar histórias por meio de tecnologias imersivas.
O segundo projeto é Galápagos: The Last Eden, uma jornada imersiva narrada pela atriz Margot Robbie. A experiência aborda a formação do arquipélago de Galápagos, sua biodiversidade e os efeitos das mudanças climáticas.
Segundo a descrição da La Biennale di Venezia, o público também pode interagir com uma representação digital de Charles Darwin alimentada por inteligência artificial. A proposta combina conteúdo sobre ciência e preservação ambiental com recursos de exploração e participação em um ambiente virtual.
Do conteúdo 2D à espacialização em 3D
O terceiro título apoiado pelo Google é Sedona, teaser de suspense psicológico produzido pela Asylm Studios. O projeto utiliza uma tecnologia da empresa capaz de converter conteúdos bidimensionais em experiências com espacialização tridimensional para realidade estendida.
Essa abordagem amplia a maneira como o espectador acompanha uma narrativa audiovisual. Elementos originalmente apresentados em uma tela plana podem ser reorganizados em um espaço com percepção de profundidade, criando novas possibilidades para enquadramento, atmosfera e acompanhamento da ação.
O projeto se diferencia dos demais por funcionar como uma demonstração de transformação técnica do conteúdo audiovisual. Em vez de partir necessariamente de um mundo concebido desde o início para a imersão, Sedona explora como ferramentas de conversão podem levar materiais 2D a ambientes de XR.
Google aproxima cinema e realidade estendida
A participação do Google no festival ocorre em um momento de expansão das experiências que misturam cinema, inteligência artificial e interação espacial. Os três projetos apresentam caminhos distintos: uma narrativa de realidade mista com conversas geradas por IA, uma jornada documental e ambiental com personagem digital interativo e um teaser que investiga a adaptação de imagens 2D para o espaço tridimensional.
As experiências foram concebidas para Android XR e combinam recursos de inteligência artificial generativa, áudio e imagem espacial, além de profundidade estereoscópica. A plataforma aparece, portanto, como parte de um ecossistema voltado à criação e ao consumo de conteúdos em ambientes imersivos.
O anúncio também destaca o papel da equipe 100 ZEROS, do Google, no apoio a projetos que ampliam as fronteiras entre tecnologia e produção cultural. A iniciativa não se concentra apenas em equipamentos ou plataformas, mas em formatos capazes de alterar a participação do público e a construção de mundos narrativos.
Venice Immersive reforça espaço para novas linguagens
A programação oficial do festival reúne instalações imersivas, mundos virtuais e obras produzidas para diferentes modalidades de realidade estendida. A seleção de 2026 inclui NEVATARS e Galápagos: The Last Eden, reforçando a presença de experiências interativas dentro de um dos principais eventos internacionais dedicados ao cinema.
Para o setor de XR, a apresentação em Veneza oferece visibilidade a projetos que ainda ocupam uma posição intermediária entre o cinema tradicional, os jogos digitais, as instalações artísticas e as experiências de realidade virtual. A diversidade dos três trabalhos apoiados pelo Google mostra que não existe um único modelo para a narrativa imersiva.
Com Gemini, inteligência artificial, espacialização sonora e visual e recursos de interação, as obras apresentadas em Veneza indicam como a realidade estendida pode funcionar tanto como suporte para histórias quanto como elemento central da linguagem audiovisual. O festival, realizado em Veneza, na Itália, torna-se novamente um ponto de encontro entre a produção cinematográfica e as tecnologias que buscam redefinir a relação do público com a imagem.

